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Pesca com Bóia nas Rochas


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Publicado em: 2001-10-10 11:03:39

Actualizado em: 2001-10-10 11:03:39



 



A pesca à bóia no mar nas regiões rochosas, proporciona, pescarias muita boas aos adeptos, que procuram nos portos ou nas zonas rochosas uma alternativa à pesca de praia.

O fato é que este tipo da pesca quer se pratique com engodo ou sem ele, é normalmente mais produtiva.

Sargos, robalos, tainhas carapaus e salemas são algumas das espécies mais freqüentes na pesca com bóia com engodo.

Na pesca com engodo o segredo de uma boa pescaria está em saber escolher o local e depois "fazer" um pesqueiro; na pesca sem o engodo há que se procurar o peixe de pedra em pedra "pesca do engano".

As técnicas que se podem utilizar são muitas e dependem não só do tipo do peixe que queremos a pescar como do estado do mar, etc.

Neste artigo vou falar da pesca do robalo, uma pesca onde muitos pescadores esportivos gostariam fazer:

Pesca do Robalo com Bóia nas Rochas

O robalo é um peixe predador, que freqüenta toda a nossa costa, apreciando muito as águas oxigenadas onde caça e "brinca" nas ondas.

Pessoalmente prefiro pescar o robalo com engodo, nas últimas três horas da vazante ou no princípio da enchente. Sempre em pesqueiros pouco profundos, de preferência em canais, onde o engodo trabalhe bem.

Não tenho dúvida, que por experiência própria e de pescadores, quer pelo que tenho lido, que a parte final da vazante ou o início da enchente são os melhores momentos para pescar o robalo.

A escolha do local do pesqueiro deve ter em consideração o comportamento da agitação das águas do mar.

O local de pesca a ser escolhido, deve ter águas agitadas bem oxigenadas e com corrente. Atenção que a corrente deve ser perpendicular à linha da costa, pois se a corrente for lateral o engodo não trabalha bem, e muitas vezes estamos afastando o peixe e não a chamá-lo!

Quantas vezes um excelente pesqueiro de maré vazia e à medida que a água vai subindo, cobrindo as pedras, alterando a corrente, o peixe desaparece. É o momento de procurar outro pesqueiro, pois o engodo deixou de trabalhar!

Pode acontecer, para nossa surpresa, pescar robalos grandes em pequenos canais, com pouquíssima água. Às vezes até parece que era impossível pescar um robalo entre as pedras!

Portanto o primeiro passo é a observação e experimentação. As conclusões vão surgindo á medida que vamos acumulando experiências.

Não quero acabar esta introdução sem referir, como é evidente que os robalos também se pescam em outros momentos da maré. Mas quando o mar está com ondulação forte e a água bem oxigenada, os melhores resultados são de fato na baixa-mar, ou perto dela.

Engodo e Engodagem

O engodo mais usual à base de sardinha deve passar pelo gelo para "amaciar" e liberar o sangue, deve ser preferencialmente esmagado no local de pesca. Podendo também ser preparado em casa, com "filés de sardinhas" moído em moedor manual de carne.

Normalmente, para 4 a 5 horas de pesca, utilizo de 5 a 10 kg de sardinha. Depois de esmagada, em uma balde, junta-se água do mar até formar uma calda bem espessa. Quando o mar está muitos agitados e os corrente muito fortes, junte uma farinha afundante à sardinha. A farinha dá consistência ao engodo o que permite engodar com bolas que se vão desfazendo lentamente no fundo do pesqueiro onde a corrente é menor. É importante para esse engodo funcionar bem, molhar a farinha umas horas antes de utilizar.

Para preparar a farinha o ideal é usar o sangue da própria sardinha. Depois de molhada a farinha vai inchando e absorve todo o líquido. Devemos ir juntando água ou de preferência o sangue das sardinhas, até a farinha não reter mais.

Ficamos assim com uma massa mais ou menos grossa, pronta para o uso, que depois juntamos a sardinha amassada no local da pesca. São farinhas especiais e normalmente importadas (Sensas 3000 MER). Quando utilizamos estas farinhas, engodamos com bolas amassadas à mão e lançamos no local bem próximo onde colocamos a bóia.

Quando o mar está mais ou menos calmo, com baixa ondulação, usar apenas engodo com as sardinhas amassadas e água do mar. O engodo trabalha bem quando: estamos engodando bem próximo aos nossos pés, este corre na direção da bóia. Se a corrente for fraca podemos engodar com mais quantidade e com mais freqüência; se a corrente for forte e levar rapidamente o engodo, devemos engodar com menos quantidade, mais vezes com um engodo menos concentrado, ou então com as bolas de engodo utilizando a farinha.

Nunca devemos esquecer uma regra de ouro: o êxito da "pesca com bóia" está na boa técnica de engodagem.

Material de Pesca

Para este tipo de pesca, convém utilizar vara telescópica de 5,40 metros (com vento devemos reduzir o tamanho da cana). A linha de varas da Shimano, utilizados para a "pesca de costão" (ponta de numeração: 1, 2, 3, 4 e 5), é excelente para este tipo de pesca. São varas com ação de ponteira, que permite uma excelente ferragem. São bastante leves, possibilitando uma pesca muito cômoda sem cansaço. Em situações extremas de grande esforço passa a uma acção semiparabólica, o que facilita o trabalho com grandes peixes. No entanto, quando o mar está mais agitado e "sonhamos" com peixes grandes devemos utilizar uma vara mais resistente, com acção semiparabólica.

Quanto ao molinete, devemos utilizar um molinete especial para a pesca de bóia de tamanho médio. O molinete não deve ser muito pequeno, dado que por vezes podemos ter que trabalhar com peixes grandes. A rapidez de recuperação, embreagem e a força são as características mais importantes para esta modalidade de pesca. Molinetes ideais, o Shimano Symetre 4000 FE ou o Daiwa TDS 2500 IA. Estes molinetes têm uma embreagem muito boa, que permite trabalhar com segurança peixes grandes; são de recolhimento rápido, o que permite tirar a bóia das pedras sem problemas; têm força, o que permite recuperar bons exemplares sem grande dificuldade.

Quanto às bóias depende das condições meteorológicas: se estiver ventando temos que pescar com uma bóia mais bojuda na base, se não estiver ventando e o mar for relativamente calmo devemos utilizar uma bóia fina, se estiver muito agitado devemos pescar com uma bóia em forma de ovo para trabalhar bem a ondulação. O tamanho das bóias varia entre 5 gramas e as de 15 gramas. Quanto mais forte for o vento, ou à distância de lançamento; maior terá que ser o calibre da bóia.

Quanto à linha e como primeira regra, nunca devemos usar linha com diâmetros inferior a 0,25 mm ou superior a 0,40 mm. A primeira para quando o mar estiver calmo. Com o mar muito calmo, é muito difícil pescar robalos por que eles estão pouco ativos. No entanto com linha fina, é possível às vezes, algum sucesso. Quanto mais agitado estiver o mar e as águas mais turvas, maior deve ser a espessura da linha, sem, no entanto ultrapassar o 0,40 mm. Outra regra importante, pescar sempre direto (na pesca direta: bóia, chumbo, monta-se na mesma linha do molinete á qual se empata o anzol sem fazer um chicote), quanto menos nós fizermos na linha melhor. Assim devemos ter vários carretéis do mesmo molinete com linhas de espessura diferente, para ser utilizado conforme for à cor da água, estado do mar, tamanho do peixe, etc.
Os anzóis utilizados nesta pesca devem ser do modelo Maruseigo (numeração: 10, 12, 14, 16, 18) ou anzóis especiais para iscas e camarão vivos (Wide Gap Live Bait). Os primeiros anzóis iscam bem a sardinha, que deve ser cortada, à mão e em filetes grandes. Devem ser retirados filetes junto à barbatana caudal. O resto da sardinha é para engodo.
Os chumbinhos (tipo arroz) que calibram a bóia devem ser macios para não ofender a linha. Um chumbo rijo pode retirar mais de 50% da resistência da linha se for muito apertado.

Locais apropriados para essa modalidade de pesca:
  • Pirulito na Ponta da Praia - Santos - SP
  • Costão das Astúrias, das Galhetinhas - Guarujá - SP.
  • Costões de São Vicente - São Vicente - SP
  • Costões do Litoral Norte - Ubatuba - Caraguatatuba - São Sebastião - SP.


RIBAMAR



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